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*Blog já programado até 2015…
Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes
Uma Trova de FLÁVIO ROBERTO STEFANI
Porto Alegre/RS
Na pescaria, de fato,
notei teu jeito chinfrim,
mas o olhar era de gato:
um no peixe e outro em mim...
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Um Poema de CELSO BRASIL
(Curitiba/PR)
Tu, eu e a poesia
Te amo com toda energia,
Te quero bem perto de mim,
Mas também tem a Poesia!
Eu Quero as duas, enfim!!!
Te peço... não tenhas ciúme!
Sem ela não posso te amar!
Da minha montanha, ela é o cume,
Do cume, amor te quero gritar!
Abro os braços à magia,
Entre eles, sempre estarás.
Mas se não abraço a Poesia,
A ti... como me declarar?
Poesia, minha eterna amante.
Tu, minha eterna paixão.
A Poesia me leva adiante!
E tu! levo em meu coração.
Se me deixares amá-la,
Para ti também existirei.
Mas se me apartares dela,
Sem versos, então, morrerei.
Ficarás chorando no báratro,
Quando eu tiver que me ir.
Consolar-te até o reencontro,
Sei que a Poesia há de ir.
Tu e a poesia, então, juntas
Viverão a me relembrar.
De vez em quando unidas,
Ambas se porão a chorar.
Nesse momento, querida,
Certamente, ali estarei.
Tu e a Poesia formam minha vida!
E, assim, nunca mais morrerei.
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Um Haicai, de EDGLEY SILVA GONÇALVES
São Paulo/SP
Roxas, amarelas
flutuam as folhas secas
ao sabor do vento.
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Galáxia de Aldrávias de ANNA RIBEIRO
Itajaí/SC
nas
entrelinhas
a
busca
de
mim
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O Universo Poético de EMILIANO PERNETA
(Emiliano David Perneta)
Curitiba (1866 – 1921)
Orgulho
(Ao João Itiberê)
Nasci para viver no meio do que é belo.
A miséria me causa um horror sem igual.
Eu não posso tocar de leve com o escalpelo
Numa ferida, sem que isso me faça mal.
Nasci para viver no meio d’um castelo,
Onde eu domine, mas com um gesto senhorial.
Não quero conhecer o mal, não quero vê-lo;
O mando d’um artista é um manto imperial.
Antes morda-me o Ódio assim do que a Piedade;
Antes quero rugir, do que chorar de dor;
E prefiro ao pesar, que o coração me invade,
E abate-me a tremer, tal qual uma criança,
O furor de brandir nas mãos, como uma lança,
Este Orgulho, que enfim é uma giesta em flor!
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O Universo Poético de REGINA MÉRCIA
(Regina Mércia Sene Soares)
Novo Horizonte/SP
Essa Felicidade?
Existe essa tal felicidade?
Essa pergunta faço com tristeza
Era só meu aquele amor
Não era a dois...
De repente a dor me surpreende
Por que um amor não correspondido?
Duvidas surgiram de que eu era...
Iludida, só o meu amor vivia
Sinto muita falta e sinto-me
Entregue aos medos e receios
Feliz fiquei ao perceber
Que estava amando...
Meu coração levava consigo
O aconchego de alguém...
Que havia chegado
Precipitando talvez o encontro
Com esse alguém que quisesse
Realmente me amar...
Só esperando o momento certo
Bem lá escondido no cantinho
Do coração cheio de desejo
Para nascer um grande amor…
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Uma Trova Lírica Filosófica, de JOSÉ ALMIR DA LUZ JUNIOR
Paraná
Português bem pronunciado
é o que vem do coração.
Deixe o pronome de lado -
vem cantar, minha canção.
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O Universo do Haicai de CARLOS SEABRA
São Paulo/SP
velho jornal
levado pelo vento
prevê temporal
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O Universo Poético de RENATO SUTTANA
Barroso/MG
Até o fim
Que não.
Que não importa.
Que do modo como está é o bastante –
que ser o bastante não importa:
que durar entre os momentos,
que persistir, que restar
não tem a menor importância.
Que só tem importância compreender
que, sendo este o modo
e sendo este o lugar,
tudo o mais é somenos,
porque tudo o mais é tal qual
e é o que menos importa,
porque à noite se dissipa no sono.
Que não.
Que nunca mais.
Que deste modo ou em qualquer lugar
é sem importância e sem brilho,
e assim será até o fim (com seus abismos,
suas janelas, seus passadiços, seu laços)
e jamais será o bastante,
qualquer que seja o caso ou o desejo,
até o fim.
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Galáxia Poética da SUELY BRAGA
(Suely Eva dos Navegantes Braga)
Osório/RS
Lampejo de luz
Há uma luz no infinito.
As estrelas da memória embalam as ausências.
O vento leva as lembranças.
Uma nuvem cobre as recordações.
O peito soluça nas brasas da saudade.
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Uma Trova do IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP
Quem morreu naquela Cruz,
foi o Corpo e nada mais:
ninguém apaga uma Luz
crucificando ideais!
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Um Soneto de MARILENE BORBA
Osório/RS
Vida, saudade e poesia
No útero prenhe da noite...
Vida, Saudade e Poesia.
Brisa se faz lua,
nuvens vestidas de algodão
dançam com o cheiro de vida.
Versos se enamoram,
se abraçam em lembranças,
oram às estrelas aos ouvidos do vento.
Apadrinhada pelo céu
a noite se veste de pura seda.
Nasce o poema!
A noite descansa ao som de Chopin.
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Constelação Haicaista de JOSÉ MARINS
Curitiba/PR
chega a noite longa
esquecido amarelou
o feixe de couve
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Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha Portuguesas
ERA UMA VEZ…
Estas lengalengas eram usadas como efeito cómico, quando as crianças pediam a alguém que lhes contasse uma história e o narrador não tinham nem tempo nem paciência para as contar, calando-as com estas rimas curtas.
Era uma vez
Um gato maltês
Tocava piano
Falava francês
Saltou-te às barbas
Não sei que te fez
A dona da casa
Chamava-se Inês
O número da porta era o 33!
Queres que te conte outra vez?
.
(http://luso-livros.net/)
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Uma Trova da Rainha dos Trovadores
LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981
De idéias velhas ou novas,
eu faço trovas também.
Quem gosta de fazer trovas,
nunca faz mal a ninguém.
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O Universo Poético de EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR (1816– 1918)
Um gaúcho esquentado
Lá na terra dos Pampas tem o nome
De Chimarrita, diz o Leal de Souza,
E este apelido afirmam que o consome
E é o que o há de levar à fria lousa.
Se lho repetem briga e já não come,
Não pára, não descansa, não repousa,
Agüenta a sede, suportando a fome,
Dando o estrilo feroz por qualquer cousa.
Entretanto, não tem os dotes falhos;
Do talento gaúcho é um belo adorno
E tem brilhantes feitos e trabalhos.
Rapadurescamente espalha em torno,
Uma impressão de cheiro a vinha-d'alhos,
De um leitãozinho mal tostado ao forno.
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Constelação Poetrix de GOULART GOMES
Salvador/BA (1965)
Bruxa
escrever: palavras coser, cozer
poesia, linha e pão misturo
mergulho em seu caldeirão
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Uma Trova Humorística, de DIVENEI BOSELLI
São Paulo/SP
A garota muito prática
joga fora, sem dilema,
seu livro de matemática,
que, afinal...só tem problema!
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O Universo Poético de ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG
São Fidélis/RJ (1947)
Cidade de Santos
Oh! Santos de tantas santas,
Santos de belas meninas,
Santos de lindos olhares,
De barcos singrando os mares
E alegres bares nas esquinas.
Oh! Santos de lindos jardins
Adornando as enseadas,
Seu perfume é de jasmim,
Sua beleza é sem fim,
Deixa a vida apaixonada!
Santos da balsa que traz
Alguém que se espera tanto
Santos de luz e de paz
Santos de tantos encantos!
Santos de grandes poetas
Que bordam versos brilhantes,
Santos de grandes atletas,
Santos de Reis e profetas,
Santos de ternas amantes.
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Uma Trova Hispânica, do Chile
JAIME CORREA
Has perdido tu ternura,
la sonrisa misteriosa.
Tu belleza es mi locura,
señorita tan hermosa.
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Constelação de Sonetos da DOROTHY JANSSON MORETTI
(Sorocaba/SP)
Sobre as nuvens
Na lida ingrata e rude do vaquejo,
no carrascal inóspito e ardente,
manda uma prece o pobre sertanejo
a um Deus que há muito lhe parece ausente.
Nos seus olhos vermelhos, o desejo
de que uma chuva, mesmo impersistente,
venha molhar, com dúlcido bafejo,
seu chão gretado de um sol inclemente.
Ao dedilhar simplório do violeiro,
chora a toada monótona o vaqueiro,
na noite sem espera e sem promessa.
E quando sobre as nuvens paira a prece,
quando a esperança já quase fenece…
um raio, o espaço, rútilo, atravessa.
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O Universo Poético de CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ
Canção do deserto
Pelo horizonte de areias,
reclina-se a voz do canto.
A moça diz, muito longe:
"Eu sou a rosa do campo ..."
O beduíno pára e escuta,
vestido de pensamento, sozinho,
entre as margens de ouro
do ar e do deserto imenso.
"Eu sou a rosa do campo..."
E olhando para as ovelhas
sente o chão verde e macio
e flores pelas areias.
"Eu sou a rosa do campo..."
Mas tudo o que ouve e está vendo
é poeira, apenas, que voa:
o vento dá voz ao vento ...
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O Universo Poético de GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade e Almeida)
Campinas/SP, 1890-1969
Nós, XXVII
Hoje voltas-me o rosto, se a teu lado
passo; e eu baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo, esquecido de teu olhar — coitado!
Vais — coitada! — esquecida de que existo:
como se nunca tu me houvesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado!
Se às vezes, sem querer, nos entrevemos;
se, quando passo, o teu olhar me alcança,
se os meus olhos te alcançam, quando vais,
— ah! só Deus sabe e só nós dois sabemos! —
volta-nos sempre a pálida lembrança
daqueles tempos que não voltam mais!
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Universo Poético de IALMAR PIO SCHNEIDER
Porto Alegre/RS
Soneto a Gonçalves Dias
(Falecimento do poeta em 3.11.1864- In Memoriam)
Poeta das palmeiras e também
dos indígenas, com força genial,
cantou grandes amores que ninguém
houvera feito assim sentimental…
Lendo seus versos a saudade vem
me visitar de modo especial,
da minha terra que palmeiras tem
onde o sabiá modula sem igual.
Gonçalves Dias, vate da natura,
és um astro que em nosso céu fulgura,
com tuas mais românticas poesias…
Soubeste transmitir a inspiração
que as Musas te trouxeram na soidão
do mundo ideal das alegorias !
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Galáxia Triversa de ALVARO POSSELT
Curitiba/PR
Como o poeta sofre
Faz o caminho in-verso
para chegar na estrofe
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Uma Trova do Rei dos Trovadores
ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ
Os "anjos da guarda" gostam
da rede dos pobrezinhos,
que dormem a sono solto,
ao Deus dará, nos caminhos
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O Universo Poético de MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994)
A Rua dos Cata-Ventos
I
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...
Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!
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O Universo de Versos de BERNARDO TRANCOSO
(Bernardo Sá Barreto Pimentel Trancoso)
Vitória/ES, 1976
Uma poesia sobre nós
Nada vai separar, existem laços;
Nem vai desenlaçar, nem nos espaços
Entre os passos que juntos damos, sós;
Nem antes dos abraços, nem após.
Nada vai desatar tantos amassos;
Nem vai desamassar, nem nos escassos
Truques, traços, herdados dos avós,
Nossos braços, cruzados como nós.
Todo o meu corpo, todo o teu, também,
São bobinas trançadas de um motor,
Bouganvilles depois do sol se pôr,
A liberar calor como ninguém.
São nossos corações, que vão e vêm,
Pontas de um grande laço, que é o amor.
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Universo Trovadoresco de CORNÉLIO PIRES
Tietê/SP (1884 – 1958) São Paulo/SP
Tutor da terra foi Rei
E é sempre Rei, o Amado Jesus,
Teve a coroa de espinhos,
Por trono, o lenho da cruz
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O Universo Sonetista de ALMA WELT
Novo Hamburgo/RS (1972 – 2007)
O pó e a luz
O pó tem sua essência revelada
Quando dança na luz filtrada em frestas.
Para o grego era a alma figurada
Que nos cobre o mundo e as arestas.
É um consolo saber que tudo vive,
O mistério preenche-lhe o vazio,
E o nada, pavor que sempre tive,
Seria a razão mesma do que crio...
Pois saber quão pouco conhecemos
Nos dá esperança de sentido
Nesta vida às cegas que vivemos.
Assim, é bem possível vida eterna
E até um paraíso prometido
Na pequenina luz de uma lanterna...
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Uma Poema de GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS
Amo
Amo com toda a força do meu ser.
Amo a beleza, a arte, uma canção.
Amo o eterno desejo de vencer.
Amo os versos que vêm do coração.
Amo as flores, é grande meu querer.
Amo essa amarga e triste solidão.
Amo os sonhos que estou sempre a tecer.
Amo o infinito em sua imensidão.
Amo também a morte, dura e fria.
Amo na morte, toda a ausência e dor.
Amo meu mundo em meio à fantasia.
Amo a tristeza, e mais, amo a alegria.
Amo a vida e esse mundo encantador.
Amo o amor, amo a paz, amo a poesia.
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O Universo de FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal 1888 – 1935
Tens uma rosa na mão.
Não sei se é para me dar.
As rosas que tens na cara,
Essas sabes tu guardar.
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Uma Trova do Poeta do Amanhecer
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN 1951 - 2013 Natal/RN
Num sonho eu me fiz refém,
ao viver uma emoção
que o próprio sonho a retém
na mente e no coração…
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O Universo Sonetista de AFONSO FELIX DE SOUSA
Jaraguá/GO (1925– 2002) Rio de Janeiro
-
Sonetos Elementares
XVIII
Dentro de mim a música e os menores
gestos da amada. O âmago da noite
esconde prantos, poderosos risos
inundam as paredes do invisível.
Sou eu – do mundo em roda enfim liberto,
as mãos sem tato, o espaço sem limites.
Anterior a mim, livre das sombras
das mulheres que amei, livre de mim.
E sinto que sou eu. Vejo no espelho
do meu passado os sonhos decepados,
coração e sentidos entre cárceres.
Livres no espaço sem manhãs e noites,
nossas almas se fundem no silêncio
onde os germes do amor fecundam músicas.
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O Universo Poético de AUTA DE SOUZA
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN
Lídia
(a Esther)
Feliz de quem se vai na tua idade,
Murmura aquele que não crê na vida,
E não pensa sequer na mãe querida
Que te contempla cheia de saudade.
Pobre inocente! Se alegrar quem há de
Com tua sorte, rosa empalidecida!
Branca açucena inda em botão, caída,
O que irás tu fazer na eternidade?
Foges da terra em busca de venturas?
Mas, meu amor, se conseguires tê-las,
De certo, não será nas sepulturas.
Fica entre nós, irmã das andorinhas:
Deus fez do Céu a pátria das estrelas,
Do olhar das mães o Céu das criancinhas.
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Uma Trova do Príncipe dos Trovadores
LUIZ OTÁVIO
(Gilson de Castro)
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP
A trova é tão pura e humilde
que eu julgo, pensando nisto,
que o primeiro trovador
foi, por certo, Jesus Cristo.
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O Universo Poético de VINICIUS DE MORAES
(Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes)
Rio de Janeiro (1913 – 1980)
Soneto de véspera
Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrima terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer porque chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou — fria de vida
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
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O Universo de J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ
" Linha Circular... "
Eu era um homem simples, verdadeiro,
na rotina da vida cotidiana,
às vezes desejando coisas loucas
mas vivendo o melhor sem me dar conta,
dono das coisas simples, simples coisas
que a gente tem sem perceber que tem:
- era a rua tão clara ao meu bom dia,
toda a gente que adiante ia encontrando
nas calçadas, nos carros, pelas portas,
que sem saber comigo partilhava
do meu mundo - cenário e companhia.
Depois, o meu trabalho cada dia
recopiado em carbono tal e qual:
o cafezinho, o bate-papo, a roda,
os romances "vantagens", sem história,
e o retorno cansado, ao vir da tarde,
o meu banho de mar, o meu cinema.
Eu era um homem simples, verdadeiro,
igual a outro qualquer, e eu nem sabia!
- com lugar de partida e de chegada
e um vago tédio de quem vai levado
nessa felicidade imbeliscada.
........................................................................................................
A minha vida era, afinal, um disco
que ficara esquecido na vitrola.
..........................................................................................................
De repente, chegaste! Oh, nunca mais
soube de mim, nem sei de minha vida!
Agora, sou alguém que vive a espera
do momento em que deve te encontrar
sem nunca ter certeza se virás...
E enquanto espero, nada sei fazer
senão pensar em ti... sofrer em mim!
A vida é uma ansiedade, uma aventura,
o ciúme, uma malária que me arrasa,
e eu te sigo e longe, e ainda mais perto:
e me pisas sem ver, menos que sombra.
Oh, saudade do disco na vitrola,
da rotina da vida cotidiana,
- o trabalho, o café, o tédio, o lar -
do homem simples, morrido, verdadeiro,
oh, saudade da linha circular…
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Universo Trovadoresco de WALDIR NEVES
Rio de Janeiro/RJ (1924 – 2007)
Vergonha, mesmo, passou
dr. Cornélio, homem sério.
Imaginem… Processou
a mulher por adultério.
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Universo das Sextilhas de A. A. DE ASSIS
(Antonio Augusto de Assis)
Maringá/PR
A humanidade, criada
à imagem do Criador,
não dando a tal privilégio
o seu devido valor,
perdeu-se ao perder de vista
a vocação para o amor.
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O Universo Poético de LEILA MICCOLIS
Rio de Janeiro/RJ
Roteiro
— "Mas que surpresa boa eu encontrá-la.
Lembra de mim?" — "Me lembro: o escritor...
Já li seu livro" — "E então?" — "Tem muito humor
e o fim, confesso, me deixou sem fala..."
— "Bom que gostou! Eu... quero convidá-la
Para um debate". — "E qual o tema?" —"Amor...
Será de noite". — "Hoje???" — "Por favor"...
— "Irei" — "Perfeito, às oito vou pegá-la..."
— "É muito incômodo..." — "Nem diga isso!
Mas se tiver um outro compromisso..."
— "Não... está bem, anote a residência..."
— "Até mais ver..." — "Até..." e fui embora,
tendo-a seguido antes, uma hora,
para forjar a falsa coincidência.
====================
O Universo de Versos de ANIBAL BEÇA
(Anibal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto)
Manaus/AM (1946 – 2009)
Joropo para timples e harpa
Em duas asas prontas para o vôo
assim se foi em par a minha vida
e com rilhar de dentes me perdôo
trilhando as horas nuas na medida
Bilros tecendo rendas amarelas
bordando em vão um tempo já remoto
no sol dos girassóis da cidadela
canto um recanto que me faz devoto
A dor que existe em mim raiz que medra
no rastro mais sombrio as minhas luas
talvez não fora Sísifo ou a pedra
que encontro todo dia pelas ruas
ao revirar as heras nessa redra
trilhando na medida as horas nuas
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Galáxia de Aldravias da CECY BARBOSA CAMPOS
(Juiz de Fora/MG)
sol
agonizante
atrás
do
morro
expira
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UniVersos Melodicos
Herivelto Martins e Valdemar Ressurreição
QUE REI SOU EU?
(samba/carnaval, 1945)
Que rei sou eu
Sem reinado e sem coroa
Sem castelo e sem rainha
Afinal que rei sou eu?
(bis)
O meu reinado
É pequeno e é restrito
Só mando no meu distrito
Por que o rei de lá morreu
Não tenho criado de libré
Carruagem sem mordomo
E ninguém beija meus pés!
Meu sangue azul
Nada tem de realeza
O samba é minha nobreza
Afinal que rei sou eu?
Que rei sou eu
Um falso rei?
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Constelação Haicaista de MÁRIO ZAMATARO
(Mário Augusto Jaceguay Zamataro)
Curitiba/PR
Cheiro de chuva
entre nuvens carregadas.
Essência do vento!
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O Universo das Poetisas Paranaenses
MARÍLIA KUBOTA
(Paranaguá)
Metamorfose
sob a casa descascada
a lagarta da seda
arredonda a redoma
e sonha asas.
a sombra do luto
anuncia:
breve, aqui, mais um fruto
da metamorfose
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O Universo Poético de PEDRO DU BOIS
Itapema/SC (1947)
Trazer
Da trama a luz volatizada
entregue ao peregrino na passagem
do estado de tristeza na realidade
que queima odores não uniformes
de ondas mornas o canto
da luz da espera no pensamento
inútil do querer: feito leão
solto na paragem da solidão
no espaço o tempo tarda
na simples luz de estrelas
e firmamentos onde o caminhante
no contorno das feições esconde
a notícia não trazida em intraduzível
gesto contido na flor de outras épocas
(é seca a hora).
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O Universo de Versos de RAIMUNDO CORREIA
(Raimundo da Mota Azevedo Correia)
Baía de Mogúncia/MA , 1859-1911
Eviterno amor
Essa história do amor, que a uma só vida
Bilhões extrai, prolífico e fogoso,
Essa — ó gênero humano desditoso! —
Enche o tempo, enche o espaço, indefinida...
Adão, o arrependido, e a arrependida
Eva, ei-los avexados, ante o iroso,
Bíblico Deus, severo e rigoroso,
De quem toda essa história é já sabida.
E ele, que em beijos e ais no Éden surpreende
O ágil mancebo e a adolescente linda,
Sobre ambos vingadora a dextra estende.
Arrependem-se? Embora! O amor não finda,
Pois o par amoroso se arrepende
De ter amado, mas... amando ainda!
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O Universo Poético de RAQUEL ORDONES
Uberlândia/MG
Lendo em azul
Linhas e entrelinhas azuis; leio no céu
E o mar se faz poesia no mesmo tom
Minha alma uma inquietude em véu
E um arco-íris sorri com o seu batom.
E o azul é de imensidão inenarrável
O silêncio borbulha no ruído da onda
Há nas gotas um barulho incalculável
Há um equilíbrio na chuva que ronda.
E o meu olhar não é azul, mas reflete
Um manto que o céu cobre toda terra
No dia de hoje e no amanhã se repete.
Nuvem aqui, nuvem acolá, se mistura
O azul prova e em azulado se encerra
É verso em mar e lá adiante na altura.
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Universo Poético de MACHADO DE ASSIS
(Joaquim Maria Machado de Assis)
Rio de Janeiro (1839 – 1908)
“Entra cantando, entra cantando, Apolo!”
Entra cantando, entra cantando, Apolo!
Entra sem cerimônia, a casa é tua;
Solta versos ao sol, solta-os à lua,
Toca a lira divina, alteia o colo.
Não te embarace esta cabeça nua;
Se não possui as primitivas heras,
Vibra-lhe ainda a intensa vida sua,
E há outonos que valem primaveras.
Aqui verás alegre a casa e a gente,
Os adorados filhos, - terno e brando
Consolo ao coração que os ama e sente.
E ouvirás inda o eco reboando
Do canto dele, que terás presente.
Entra cantando, Apolo, entra cantando.
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Galáxia Poética de AMAURY NICOLINI
Rio de Janeiro/RJ (1941)
A Árvore da Vida
Vida! Milagre que renasce a cada hora,
a cada anoitecer, a cada aurora,
e se prolonga pelo tempo certo
para que cada um encontre a si mesmo,
siga o seu caminho, sem andar a esmo,
e a cada dia do fim chegue mais perto.
Vida! Tanta experiência acumulada
pensar-se-á, enfim desperdiçada
quando essa caminhada chega ao fim?
Não, porque cada história é registrada
e fica. E também se multiplica
em torno de quem partilhou esses momentos
e os incorpora aos próprios sentimentos
como se fossem lembranças. Ou lições.
Vida ! Medida entregue a nós, quantificada,
para ser gasta aos poucos nessa estrada
guiados pelos nossos corações.
O bem supremo, a jóia preciosa
que fazemos medíocre, ou gloriosa
porque o que somos, cremos e sonhamos
é que dará a ela as nossas dimensões.
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Galáxia Poética de AVANIEL MARINHO
Recife/PE
Escrita fina
Nenhuma tocha ardente e fumegante
queimará meus punhos, a ponto
de parar minha pena de escrita!
Hei de escrever enquanto viver!
É-me prazeroso e reconfortante;
dá-me fleumático levitar de conto;
leva-me à água doce prescrita;
incendeia-me o bem e o bem-querer!
Podem me negar os microfones;
acautelem-se contra meus vernáculos;
tapem os ouvidos ensurdecidos!
Mas verão a olho nu ou de óculos,
meus versos de amor ou aguerridos.
Ter-me-ão escrevendo tempos e ícones!
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Universo Poético de LUIS VAZ DE CAMÕES
Portugal (1524 – 1580)
XVII
Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão elevado sinto o pensamento,
Que me faz ver na terra o Paraíso.
Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento:
Assim que em termo tal, segundo sento,
Pouco vem a fazer quem perde o siso.
Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;
Porque quem vossas graças claro sente,
Sentirá que não pode conhecê-las.
Pois de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, dama excelente,
Que quem vos fez, fizesse céu e estrelas.
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Galáxia Poética de MANUEL BANDEIRA
(Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho)
Recife/PE (1886 – 1968) Rio de Janeiro/RJ
Um sorriso
Vinha caindo a tarde. Era um poente de agosto.
A sombra já enoitava as moutas. A umidade
Aveludava o musgo. E tanta suavidade
Havia, de fazer chorar nesse sol-posto.
A viração do oceano acariciava o rosto
Como incorpóreas mãos. Fosse mágoa ou saudade,
Tu olhavas, sem ver, os vales e a cidade.
— Foi então que senti sorrir o meu desgosto...
Ao fundo o mar batia a crista dos escolhos...
Depois o céu... e mar e céus azuis: dir-se-ia
Prolongarem a cor ingênua de teus olhos...
A paisagem ficou espiritualizada.
Tinha adquirido uma alma. E uma nova poesia
Desceu do céu, subiu do mar, cantou na estrada...
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Universo Poético de WILLIAM SHAKESPEARE
Stratford-upon-Avon, Reino Unido (1564 – 1616)
Soneto 18
Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.
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O Universo Poético de PAULO VINHEIRO
(Paulo Vieira Pinheiro)
Monteiro Lobato/SP
Quisera
Quimera, alguma esperança mantenho
Cantilena, monotônica toada trovoa
Do boi o carro carroçando vai cantando
À vera trocam letras tropeçando pedras
Escrevo sem sentidos, abstraio teus olhos
Perdoe o perverso que rabisco à toa
Enxugo lágrimas que não nasceram
Em vão de página... Quem sabe em vão
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Galáxia Poética de JOSÉ A. JACOB
(José Antonio de Souza Jacob)
Juiz de Fora/MG
Noite no bar
Daqui do bar a noite é uma criança
Que, lá de fora, espia da vidraça
A espuma doce que desliza mansa
E que escorrega no cristal da taça.
E dos meus olhos feitos de fumaça,
De indiferença ao lustre que balança,
Envio acenos de desesperança
Detrás do copo onde a bebida passa.
E quando não me basta mais um trago
Remexo no meu bolso, dou um afago,
E uma pequena foto se revela.
Bem desgastada dos carinhos meus
E amarelada do sorriso dela
Onde no verso está escrito: Adeus!...
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A Constelação Poética de LILIAN MAIAL
Rio de Janeiro/RJ
Soneto a Gregório de Mattos e Guerra
Que se expurgue o clamor de quem pragueja,
dia a dia por permitir-se otário,
doa a alma, deixa as calças na igreja
para desfrute do gentil vigário.
Fala-se de trabalho, o Zé boceja:
"Num cunsigo vivê como um canário..."
prefere a débil fé que o eleja:
cordeiro de batina de um falsário.
"Jamais roube, ou mate, ou seja obsceno"
convenceu-se ao ouvir tal homilia,
comprou um lote do eterno terreno;
enfim irá sorrir de alegria,
escapou do inferno o bom sarraceno?
morreu de fome por vil simonia.
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Constelação Poética de CAROLINA RAMOS
Santos/SP
Retornando… De uma festa poética
Obrigada, Senhor, eu Te agradeço
os dias de emoção que me ofertaste;
este sol, esta luz, que não tem preço
e faz do céu azul o seu engaste;
estes campos viçosos que se estendem
numa carícia aos olhos que, cansados,
buscam repouso e o brilho reacendem
na veludosa ondulação dos prados.
Obrigada, Senhor, pela ternura
colhida em cada gesto, em cada olhar…
ficou mais bela a minha noite escura
depois do beijo suave do luar.
Obrigada, Senhor, muito obrigada,
pela doce esperança que acarinho
de que a Poesia, que me abriu a estrada,
me ajude a reencontrar este caminho!
==========================
O Universo Poético do Príncipe dos Poetas de PiracicabaLINO VITTI
Piracicaba/SP (1920)
Ao passar do vento
Quando tremula a fronte ao passar de uma brisa
é um sorriso floral dos galhos verdejantes;
quando às águas do lago um leve sopro alisa,
como a sorrir também, felizes e arquejantes;
quando às flores, sem nome, uma aura que desliza
beija e afaga a sonhar doces sonhos distantes;
quando às nuves no céu azul canta e suaviza
numa glória de sol e brilhos coruscantes;
eu cismo e vejo bem que os harpejos que passam
unidos pelo amor, pelo amor se entrelaçam,
e, alegres, todos vão com modos galhofeiros,
mostrando a nosso olhar, talvez muito cansado,
toda a beleza que há no vento tresloucado,
no sublime correr dos ventos passageiros.
============
Poesia Além Fronteiras
WILLIAM BLAKE
Londres/ Inglaterra (1757 – 1827)
O pastor
Que doce a doce lida do Pastor,
Da madrugada à noite ele vagueia:
Seus carneiros no campo pastoreia,
E a sua voz é cheia de louvor.
Porque ele ouve o balido do cordeiro
E o replicar da ovelha, e atentamente
Vigia enquanto pastam calmamente,
Pois sabem que está perto o Pegureiro.
(Tradução: Renato Suttana)

Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.
BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL.
Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
FIM
*Assino em baixo!!!

CONCURSO DE POESIA - Edição 2014
Antologia Literária Poeme-se
Realização:
Editora Brasil Casual
Movimento Cultural Brasil Casual
Apoio Cultural:
Alfama Cursos (Aracaju)
Federação Brasileira dos Alternativos Culturais (São Paulo)
Associação Internacional Poetas Del Mundo (Consulado sergipano)
Movimento Cultural Internacional A Plêiade (Aracaju)
Associação Internacional de Escritores e Artistas (USA)
A Coordenação de concursos da Editora Brasil Casual lança nesta data o CONCURSO DE POESIA – Edição 2014, que selecionará os melhores textos, observadas as especificações constantes deste Edital.
O prazo de inscrição para a participação no CONCURSO é até 05 de abril de 2014, mediante o encaminhamento das obras literárias à Coordenação Geral do Concurso, conforme disposto no item 2 deste Edital.
1 DO OBJETO
1.1. O presente Edital tem como objeto a seleção de obras literárias, na modalidade Poesia, observadas as especificações abaixo, objetivando selecionar e destacar os trabalhos com maiores qualidades literárias.
1.2. A taxa de inscrição é de R$ 10,00 (dez reais) POR CADA 2 TRABALHOS ENVIADOS. O limite por participante é de 4 poesias.
1.3. Os trabalhos terão TEMA LIVRE.
1.4. Os trabalhos NÃO precisam ser inéditos.
2 DAS INSCRIÇÕES
2.1 A inscrição no Concurso dar-se-á mediante encaminhamento das obras literárias ao endereço:
A/C Emerson Maciel Santos
Av. Augusto Franco, 3753. Edifício Lyon 801
Bairro: Ponto Novo
Aracaju – SE CEP: 49047-040
2.2 As inscrições só serão recebidas pelos correios até o prazo estabelecido, considerando, para tanto, a data de postagem dos correios.
2.3 Cada participante poderá inscrever até 4 (quatro) poesias, sendo vedada a participação de coautoria.
2.4 No ato da inscrição, o candidato deverá apresentar, além do comprovante de pagamento da taxa de inscrição (depósito no Banco do Brasil – ag. 3546-7 conta 29641-4, em nome de Luciana Novais, ou na Caixa Econômica Federal – ag. 2186 conta 1332-3 poupança, em nome de Emerson Maciel Santos, se achar mais prático, poderá ser enviado o valor em espécie em um envelope menor a parte), o trabalho em 3 (três) cópias impressas, na seguinte formatação: papel A4, fonte 12 (arial ou times new roman) com no máximo 30 versos (linhas).
2.5 Os trabalhos deverão ser enviados em envelope grande que deverá conter também um envelope pequeno lacrado e em seu interior uma folha A4 contendo: Nome, Pseudônimo, Data de Nascimento, Endereço Completo, E-mail, Telefones e uma mini-biografia. No Exterior desse envelope menor deve constar apenas:
# Títulos do(s) trabalho(s)
# Pseudônimo do autor
Obs.: As obras não poderão ter identificação de autoria, sendo que no rodapé da página deverá constar apenas o pseudônimo do autor. No exterior do envelope maior pode constar identificação.
2.6 Logo após o certame as obras literárias inscritas não serão devolvidas, sendo incineradas após o encerramento do concurso.
2.7 É de responsabilidade exclusiva do autor inscrito a observância e regularização de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais.
3 DA PARTICIPAÇÃO
3.1 O CONCURSO DE POESIA da Editora Brasil Casual - Edição 2014 é de abrangência internacional e aberto a todo escritor que produza em língua portuguesa.
3.2. É vedada a participação dos membros da comissão organizadora e julgadora.
3.3 Os autores deverão ser maiores de 18 anos de idade.
4 DO JULGAMENTO
4.1 Os trabalhos inscritos serão submetidos, para análise e julgamento, à Comissão Julgadora constituída por pessoas com reconhecida capacidade intelectual, cuja decisão será soberana, não cabendo qualquer recurso quanto aos resultados por ela apontados.
4.2 Os nomes dos integrantes da Comissão Julgadora serão revelados somente na data da divulgação dos resultados.
4.3 Os textos serão julgados com base nos critérios de criatividade, qualidade técnica do texto, poeticidade e domínio da língua portuguesa.
4.4 A Comissão Julgadora poderá, a seu critério, conceder Menção Honrosa.
4.5 O resultado do Concurso será divulgado nos endereços eletrônicos: www.emersonmaciel.com.br e www.editorabrasilcasual.com
4.6 Os autores classificados serão contatados através de correspondência pessoal.
5 DA PREMIAÇÃO
5.1 A premiação será de:
1º prêmio: Kit Literário contendo Livros + Participação gratuita na Antologia Literária Poeme-se + 5 livros da referida Antologia + Certificado;
2º prêmio: Participação Gratuita na Antologia Literária Poeme-se + 3 Livros da referida Antologia + Certificado;
3º prêmio: Participação gratuita na Antologia Literária Poeme-se + 1 Livro da referida Antologia + Certificado.
Obs.: Em caráter NÃO obrigatório os vencedores poderão adquirir mais exemplares da Antologia.
5.2 Menções Honrosas: Certificado + Convite de participação da Antologia Literária Poeme-se.
6 DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES
6.1 Aos Autores será assegurado o reconhecimento dos direitos autorais dos trabalhos premiados, atendendo às especificações contidas no item 6.2 deste Edital, permanecendo proprietário (a) de seus direitos para quaisquer outros usos que não os aqui especificados;
6.2 Os autores, ao se inscreverem no presente concurso, concordam com a cedência de nome e imagem a Editora Brasil Casual para fins promocionais deste certame.
6.3 À Comissão Organizadora compete promover a divulgação deste Edital nos meios de comunicação e nos endereços eletrônicos www.emersonmaciel.com.br e www.editorabrasilcasual.com e publicar os resultados dos textos selecionados pela Comissão Julgadora, de acordo com as especificações constantes neste Edital.
7 DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
7.1 O ato de inscrição implica no conhecimento e concordância com os termos do Concurso estabelecidos no presente Edital, sendo que os casos omissos serão decididos pela Comissão Organizadora.
7.2 Eventuais pedidos de esclarecimento deverão ser encaminhados ao endereço eletrônico editorabrasilcasual@gmail.com ou por telefone: (79) 9900-1218 (vivo), 9148-0461 (TIM).
7.3 O descumprimento das obrigações e regras constantes do presente Edital, pelos participantes, implicará na eliminação imediata desses do certame.
Aracaju, SE 05 de Janeiro de 2014
Emerson Maciel Santos
Luciana Novais Maciel
http://www.emersonmaciel.com.br/2014/01/concurso-de-poesia-edicao-2014.html

Quando perdemos um amigo, é como se tivessem tirado um pedaco de nós… E, hoje, eu amanheci com um pedaco de mim subtraido!… Com certeza, a cidade de Cruz das Almas também.
Quando falece um amigo é como se o mundo desafinasse suas cordas musicais e, ontem, por volta das 23 horas – horário brasileiro – o tom de todos nós que amávamos, Gláucia Guerra, ficou desafinado!
Gláucia era dessas pessoas raras! Altamente sensível e, completa na sua forma de apresentar o seu trabalho artístico; dotada de muitos dons: era poeta, pintora, compositora, pianista e professora de música, em Cruz das Almas, sua Terra Natal. Mesmo assim, achava tempo para se dedicar a sua familia e amigos.
Em 1987, quando eu era Representante, no Rio de Janeiro, da Casa do Escritor de Sao Roque, SP., mantinha contato com poetas do mundo todo e, foi assim que, tive a grata satisfacao de conhecer essa artista com quem sempre mantive uma boa amizade; com toda sua família.
A tarde aqui vai se dobrando com o nublado do céu e a chuva que se faz presente, também em minha alma, mas, dentro de mim brilha a admiracao e carinho que sempre tive por você, Gláucia. Receba assim, sua luminosidade.
Descanse em paz!
Ana Pitangueira

Frases da atriz Dina Sfat para homenagear sua data natalícia:
“A arte é uma mentira que faz a gente perceber a verdade”, disse Pablo Picasso. Com esta frase homenageio Dina Sfat. Por que deu vontade, fiz aqui uma colagem de pensamentos seus na ordem que pareceu boa. Tirei de entrevistas e da biografia que escreveu a quatro mãos com Mara Caballero. Deleite-se.
Maité Proenca
Estou sentada na cama agora. São lindas estas meninas. Elas não são muito afetuosas comigo. Cheias de desconfiança. A mãe forte que se vira sozinha, não precisa de muita festa. Não farei nada para mudar isso.
O amor? Existe na minha imaginação. Quero um adulto, apaixonado, e livre como eu. Disponível. Não existe.
Meu destino é teatral: esse é o caminho. Fico forte, do meu tamanho, nem menor, nem maior. Queria fazer um espetáculo não é falando de esperança, porque a esperança é uma coisa que transfere a responsabilidade. Hedda Gabler é uma mulher fascinante e extremamente cruel, reprimida e que passa a reprimir os outros. A gente tem horror a ela: é grossa, incômoda, mas ao mesmo tempo é fascinante, bonita, inteligente e tem senso de humor. Dá a volta completa. Fazer essa mulher me dói o pescoço.
O modo como fiz Psicanálise, desembocou numa das maiores psicanalistas do Rio de Janeiro. Ela me dizendo que eu me fiz um câncer. E eu disse para ela: mas então fizemos a quatro mãos. Como um bom crochê. Porque os últimos anos eu passei aqui, no teu consultório. Será que sou tão poderosa e tão forte, que você não detectou nestes anos todos que, enquanto nós conversávamos, eu armava esta cilada para nós duas? Porque então o meu câncer não é só meu. É meu e teu. Fizemos juntas... Somos vítimas desse mesmo câncer, do qual você, hoje, me dá direitos autorais absolutos. Eu não quero! Eu trabalho em cooperativa neste assunto!
Quando a gente fica gravemente doente, a primeira coisa é ter consciência de que precisamos dos outros. Em todos os níveis. E vemos as mais diferentes reações. Há os que fogem pois têm medo de contágio e não te beijam, acham que câncer pega; os que querem ajudar; os que ficam contentes com a tua doença. Quando cheguei do hospital, minha secretária eletrônica havia gravado uma gargalhada de mulher que não acabava nunca.
Quando cheguei na psicanálise eu ostentava um mito. Que eu era. E ela foi desmoronando esse mito. Eu quis que ela desmoronasse, eu permiti. Mas hoje bem que sinto falta desse mito. Isso me ajudava a viver para caramba.
Há tantos anos que eu tento ser natural e normal. Mas eu não sou, não sou. E não sou porque não sou. A minha natureza não era. Eu não fui uma pessoa da minha família. Eu sou uma desfamiliada. Eu sou um ser humano solto no espaço, e faço uma profissão que me põe ainda mais fora da nave. Eu faço a comédia das sete na novela das sete, e no entanto eu viajo...Eu viajo o destino do meu personagem e o adoto como sendo o meu destino...Só que eu não sei a cabeça do autor para onde vai...Mas no momento que ele passa para mim, já não é tão onde ele ia, já é onde eu quero conduzir...Aí isso vai para o editor, que edita isso diferente. Ferra o autor, me ferra, e cria uma outra viagem... E o público ao assistir entende diferente e vem me contar uma coisa que eu nem sei mais como é.
Se não tenho pares, eu que fique falando sozinha. Tenho 27 anos dessa profissão, já fui jovem, não sou mais, já fui a mulher mais sexy do Brasil, tô tranqüila. É que o Brasil tem um defeito gravíssimo...que é o seguinte: Eu fiz um programa na União Soviética para o Globo Repórter. E o último segmento do programa era uma entrevista com Nureyev, feita aqui. A entrevista foi assim: A repórter pergunta: "Então o que é isso, fazer 50 anos?" Ele fala: "É isso, 50 anos. A gente tem um tempo de juventude... Eu passei 17 anos dançando com Margot Fontaine que foram os mais felizes da minha vida"... Hoje lembro com muita saudade desse tempo. Mas sou consciente de que tenho 50 anos e deixo a Natureza agir". Ele fala isso e congelam a imagem. Aí eu pensei: é o fim da entrevista, que bonito! Mas eu me enganei, eu estava no Brasil. A entrevista continua, só que aí mostra ele dançando com 23 anos de idade, como um deus, o maior bailarino do mundo, e entra a voz da repórter dizendo: "Ele não quer reconhecer mas é evidente que deve sentir muita saudade do tempo em que tinha 23 anos de idade". Isto é o Brasil!
Porque você está debaixo da ponte quando ela desaba? Porque você estava simplesmente passando por debaixo da ponte. Azar o teu! Porque não você? Eu tenho pavor de auto piedade, que é um sentimento péssimo, não é nada teatral. Auto-piedade é um sentimento vagabundo. Dentro do trabalho da gente, um ator com auto-piedade não comove ninguém. Você entra no sentimento das outras pessoas por outros caminhos. Se você ficar com auto-piedade, chorando, chorando, chorando, as quinhentas pessoas da platéia ficam assobiando.
No momento em que acaba o corpo, acaba a alma... Não é que acabe dessa forma em que eles convivem aqui, e depois vão existir numa outra forma... Vira pó... Vira assombração... Vira alguma outra coisa que não me interessa. Cada dia estou menos interessada no que acontece depois da morte. Estou muito mais interessada na vida.
Desculpem, eu levo muito a sério a vida. Eu não sou divertida!...
Desculpem, eu levo muito a sério a vida. Eu não sou divertida!
*Eu, com certeza, pertenco ao grupo que só quis lhe ajudar!…
R.I.P.

Nos anos oitenta, com a extincao da TV Tupi, onde eu trabalhava como Assistente de Producao Artistica, fui assessorar a Elza Soares e, tive o prazer de conhecer quase toda familia dela. Eu era chamada, por Sarinha, “sua filha com Garrincha” de: “O Anjo da Guarda da Elza” pois sabia de todos os passos da mesma… Ah que saudade das Rodas de Samba realizadas no apartamento da Elza, alí na Av. Epitácio Pessoa, 3100, na Lagoa! O barulho dos instrumentos e vozes, era muito, mas ninguem reclamava… acredito que fosse bom demais para os vizinhos, vivenciar os “shows”, gratuitamente. Lá, conheci muitos artistas e pessoas bacanas (Agildo Ribeiro, morava acima de nós); eu morava na casa da Elza para facilitar nosso trabalho. Passei a amar aquela gente… principalmente Juninho – filho da Elza com Garrincha que, infelizmente, partiu dessa vida, com apenas 09 anos de idade!!! Uma perda que nao se pode definir… Até hoje, nao toco no assunto com Elza e os outros filhos, porque sei que a ferida ainda está aberta e, com certeza, permanecerá para sempre! O filho mais velho, Joao Carlos, é o meu querido “Padrinho”… padrinho do coracao!
Hoje continuo me dando com todos e, principalmente com Avelino Gomes – irmao da Elza – com quem tenho parceria em música.
Ao assitir o primeiro video, e ver a foto de Elza, ainda menina, cheguei a conclusao que, muitas vezes, as pessoas sao culpadas por certas “transformacoes”- quase sempre MUTILACOES - no seu semelhante!!! O conceito de beleza, no mundo ocidental faz com que pessoas tomem atitudes que prejudiquem a si mesmas… eu, mais que ninguem, sei o que é ser cobrado pela sociedade hipócrita! Mas, é preciso que se tenha um espírito forte e nao se deixe envolver e sucumbir…
Abaixo, alguns videos da Elza com ícones da Música Brasileira.

O grande e tao querido compositor, cantor, produtor musical e arquiteto brasileiro, Paulinho Tapajós (Paulo Tapajós Gomes Filho), na última quarta feira (dia 25.10.2013), partiu para outro plano, deixando muita saudade, entre todos nós que apreciamos a boa música brasileira. Filho do compositor, cantor e radialista, Paulo Tapajós e irmao do compositor Mauricio Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós.
Paulinho continuará entre os meus amigos do Facebook, até que retirem seu perfil! E, com certeza, continuará eternamente em nossas lembrancas!
R.I.P.

Folder do I Encontro Sergipano de Escritores
Crônica da Jornalista Natividade para a Antologia: I Encontro Sergipano de Escritores
Senhora das Dores, Sandra Natividade e dois amigos
Senhora das Dores, Sandra Natividade e Domingos Pascoal no Stand da Igreja Batista, na Bienal do Livro, em Itabaiana – Sergipe

O Livro está á venda no LAR CIDADE DE DEUS, em ITABAIANA e GACC, em ARACAJU. Os interessados em adquirir a Antologia, poderao fazê-lo atraves dessas duas entidades – custa apenas 20,00 reais o exemplar. Lembrando que, aqueles que quiserem fazer suas doacoes, independente do livro, é só procurar os responsáveis pelas referidas Instituicoes.
Breve, acontecerá o II Encontro Sergipano de Escritores.
Aconteceu no dia 05 de outubro p. passado, em Aracaju, a entrega da Antologia: I Encontro Sergipano de Escritores.
O livro foi editado pela Infographics e conta com a participacao de diversos autores que, unidos num só interesse: ajudar Instituicoes Carentes, colaboraram na “construcao” de uma Antologia com a qual puderam ajudar, filantropicamente, o Lar Cidade de Deus, que cuida de idosos carentes, em Itabaiana e o GACC, instituicao que faz um trabalho muito bonito e especial com criancas com câncer, em Aracaju (na Avenida Desembargador Maynard).
Meus agradecimentos a Domingos Pascoal, por ter me convidado para participar, dando-me, assim, o direito de colaborar na Antologia e, dessa forma, poder ajudar de alguma maneira, com essas entidades carentes. Lamento, porém, nao ter tido a oportunidade de estar presente na entrega dos livros; para as referidas entidades.
Parabens a todos que colaboraram com “O PRIMEIRO ENCONTRO SERGIPANO DE ESCRITORES.” Aplausos para a Infographics, aplausos para Domingos Pascoal, aplausos para cada escritor, poeta, contista etc.
Minha gratidao a todos que trabalham com os idosos e criancas, e, de uma forma ou de outra, tentam amenizar a dor desses seres que tanto sofrem em asilos, lares e hospitais.
Mais detalhes:
http://www.ronperlim.com.br/2013/10/seleta-do-i-encontro-sergipano-de.html
Obs.: Quase todas as fotos foram-me cedidas pela INFOGRAPHICS. Muito grata a você, Karina; Diretora da Infographics, e, a minha amiga, jornalista, Sandra Natividade que me cedeu a foto da capa.
